terça-feira, 14 de janeiro de 2014

CHAPA 2,COPA DO MUNDO PRA QUEM?

O papo de legado da Copa de 2014,melhorias em Itaquera, é um grande engodo

Enquanto o mundo coloca os olhos sobre toda a badalação em torno do sorteio dos grupos da Copa, os mais atentos brasileiros continuam testemunhando o andamento interno do processo, comparando o discurso de legado com a realidade dos fatos. Após a morte dos operários Fabio Luiz Pereira e Ronaldo Oliveira dos Santos nas obras do estádio de Itaquera, o lado obscuro dos megaeventos voltou a emergir.

“Com certeza existe pressão sobre os prazos de entregas. No último dia 30, tivemos uma reunião do Comitê Popular da Copa aqui em Itaquera, na qual contatamos uns três operários. O medo deles de falar e se identificar são visíveis. Mas eles realmente confirmam as denúncias. Todos aqueles com quem conversamos são, individualmente, taxativos. Nas conversas que tivemos, falaram das pressões e intimidações que existem, inclusive em relação ao acidente”, contou Serginho Lima, morador de Itaquera de toda a vida, em entrevista ao Correio da Cidadania.

Na conversa, gravada em conjunto com a web rádio Central3, Serginho conta como a ilusão, a respeito do prometido processo de desenvolvimento que desembarcaria no popular bairro da zona leste, já dá lugar à insatisfação. Além disso, conta que as necessidades mais básicas da população continuam em estado lamentável, com os velhos problemas de saúde e educação, além da completa ausência de esclarecimentos às centenas de famílias ameaçadas de remoção, especialmente da Comunidade da Paz, a mais próxima das obras do estádio.

“De modo geral, estão se desenhando, de novo, grandes manifestações. Penso que aquele clamor, que vem de junho pra cá, continuará e Itaquera não vai ficar indiferente. Com certeza, teremos outras manifestações. E na Copa também. Posso estar enganado, mas é o que vejo se desenhar. Até por conta de novos acontecimentos de responsabilidade do poder público aqui na região”, prevê Serginho, que classificou como “engodo” as promessas de mudança de vida feitas pelas autoridades públicas.

A entrevista completa com Serginho Lima pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: Como vocês enxergam o trágico acidente ocorrido no dia 27 de novembro, nas obras do Itaquerão, que terminou com a morte dos operários Fabio Luiz Pereira e Ronaldo Oliveira dos Santos?

Serginho Lima: Pra responder a pergunta, ficamos, de certa forma, um pouco preocupados. Pois temos gente nossa que trabalha dentro das obras. Aqui, perto da minha casa, tem um moço que veio do Nordeste, com família, e na hora do acidente tivemos de correr e nos informar da situação, para tranquilizar sua esposa e sua filhinha.

Infelizmente, foram duas mortes, mas, se não fosse o horário de almoço, poderiam ser mais. Ficamos muito tristes de ver a morte de dois operários, duas pessoas simples, do povo, que estavam no seu ganha-pão.

Correio da Cidadania: O que você comentaria a respeito das denúncias que já aparecem de insegurança e também de pressão para conclusão da obra? O diário Lance publicou, na edição de 30/11, denúncia de um operário, explicando que a mesma peça, no lado norte do estádio, foi dividida em duas, antes de ser encaixada no topo da cobertura, e dessa vez tentou-se colocar de uma única vez...

Serginho Lima: Ah, sim, com certeza existe isso. No último dia 30, tivemos uma reunião do Comitê Popular da Copa aqui em Itaquera, na qual contatamos uns três operários. O medo deles de falar e se identificar é visível. Mas eles realmente confirmam as denúncias. Todos aqueles com quem conversamos são, individualmente, taxativos. Nas conversas que tivemos, falaram das pressões e intimidações que existem, inclusive em relação ao acidente.

É lógico que isso mostra o comportamento da Odebrecht e as empresas que conduzem a construção, de pressionar os operários para terminar a obra dentro do prazo anterior (31 de dezembro). Agora, vai demorar é muito mais (o Comitê Organizador da Copa estima a entrega do estádio em abril).

Correio da Cidadania: O que o Comitê pode falar a respeito da dinâmica das obras da Copa, neste e nos demais estádios, que já registraram greves, acidentes e mortes em algum momento?

Serginho Lima: Eu, propriamente, sou novo no Comitê. Nós, da zona leste e Itaquera, procuramos o pessoal há pouco tempo, pra nos juntarmos à luta, uma luta por direitos, travada pela comunidade e as pessoas que aqui residem. Há pessoas com mais embasamento e conteúdo pra falar da questão. De toda forma, algumas coisas são visíveis, até pelos posicionamentos dos operários e operárias com quem temos contato – também há mulheres na obra, inclusive moradoras daqui.

Correio da Cidadania: Como está a questão social envolvida pela obra? O que vocês podem nos contar a respeito de remoções de famílias pobres no entorno do estádio?

Serginho Lima: Sobre isso, posso falar melhor. Estou há 40 anos em Itaquera e agora fomos movidos a lutar, por demandas que aqui não existem, não chegam. E vamos vendo que a história de “legado da Copa” é uma grande mentira. Hoje mesmo (a entrevista foi gravada na quarta-feira, 4), recebi a ligação de um dos líderes da ocupação da Comunidade da Paz, aquela mais próxima do estádio. Estamos até ajudando o pessoal a fazer um ofício, passar pela formalidade do processo e poder buscar informações.

No dia 23/10, houve uma audiência pública com essa comunidade, na subprefeitura de Itaquera. E anteriormente, um cadastramento, onde haveria o anúncio de que 101 famílias (do chamado ‘setor 1’ da ocupação) seriam as primeiras reassentadas, entre as 377 famílias. As outras, por sua vez, ficariam para depois. Mas disseram que as 101 precisariam sair da ocupação da favela da Paz por causa da continuidade das obras do entorno do estádio.

O dia prometido do anúncio, 23/10, já passou, nada aconteceu e as famílias estão ficando desesperadas. A obra está chegando lá, o túnel, a ponte, e até agora nada de resposta a eles. Só há indecisão, silêncio e nenhum posicionamento de autoridade oficial sobre o que acontecerá com as famílias.

Correio da Cidadania: E o prometido desenvolvimento e progresso a serem trazidos à região, em benefício de sua população? Como tem sido esse processo, que se refere ao tão aclamado “legado” da Copa?

Serginho Lima: Com relação à saúde pública, podemos informar que a situação é muito ruim. Essa mesma comunidade da qual estamos falando não tem atendimento do chamado Programa Saúde da Família. Até nas outras comunidades, como a minha, que fica a 10 minutos de condução do estádio, não observamos nenhuma melhoria para o povo.

Eu não vou participar da Copa, não vou estar lá dentro. O espetáculo do futebol é muito belo, mas percebemos que o papo de “legado da Copa”, “melhorias em Itaquera”, “uma Itaquera centro do mundo”, é um grande engodo, uma propaganda enganosa. Teria de ser bom pra todos, não só aos empresários, instituições envolvidas, mas não é o que acontece.

Vocês podem vir aqui que poderemos detalhar, inclusive oferecendo o contraditório. Mas está visível, creio que qualquer pessoa que você parar em Itaquera, perto do metrô ou até pouco depois, pode confirmar. Podemos contemplar um túnel, uma ponte, ainda não terminada, e um parque cercado, um parque linear que eles dizem não ser obra da Copa. Dizem que já estava planejado anteriormente. Fora isso, nada.

Nessa semana mesmo, chegou a mim uma demanda de mãe, de comunidade próxima ao Itaquerão, que está desde 2012 aguardando lugar na creche para o filho dela. É um absurdo, verificamos que não existe nada de investimento na educação, na saúde e na infraestrutura do bairro. Remédios e materiais demoram pra chegar, vêm de forma limitada... E com isso nós vamos vendo a indignação ficar muito maior que a alegria.

Correio da Cidadania: Com 40 anos de Itaquera, nota-se seu esclarecimento a respeito do processo político em torno do bairro, além de sua maior familiaridade com movimentos sociais. Mas, saindo desse aspecto, como são suas conversas com a vizinhança, as pessoas do bairro com quem você sempre teve contato? Existe uma insatisfação generalizada ou ainda são muitas pessoas inebriadas pelo discurso e o circo da Copa, com todas as suas promessas?

Serginho Lima: De forma geral, a alegria já foi maior. Foi muito grande quando do anúncio do Brasil como sede, maior ainda quando o Itaquerão foi confirmado como sede paulista, enfim, havia todo esse contexto. Confesso que até pra mim foi assim. Mas depois fomos vendo os acontecimentos. E a população começa a enxergar através da poeira, não pelo que mostra a mídia grande, e sim pela voz das ruas e das lutas. Fazemos parte de uma parcela do povo que, realmente, enxergou um pouquinho mais tarde.

Existe a paixão pelo futebol, sem dúvidas. Agora, porém, você conversa com pessoas que dizem “olha, não precisávamos de Copa nesse exato momento da vida, do jeito que estamos aqui e do jeito que se faz”. Falo do povo mesmo, no geral, não de militantes que estão na luta. Falo da população que pega seu trem, metrô, vai e volta do centro, cansada. Essas pessoas vão te dizer que gostam de futebol, são apaixonadas, mas que não precisavam de Copa, não nesse momento e não dessa forma. Com certeza, a grande maioria diria isso no momento.

Correio da Cidadania: E com o quadro traçado por você a respeito da realidade dos fatos e a percepção da população, quais serão as próximas movimentações políticas do Comitê e também dos habitantes de Itaquera?

Serginho Lima: De modo geral, estão se desenhando, de novo, grandes manifestações. Penso que aquele clamor, que vem de junho pra cá, continuará e Itaquera não vai ficar indiferente. Com certeza, teremos outras manifestações. E na Copa também. Posso estar enganado, mas é o que vejo se desenhar. Até por conta de novos acontecimentos de responsabilidade do poder público aqui na região.

Fonte.Gabriel Brito e Leandro Iamin (Correio da cidadania)

domingo, 22 de dezembro de 2013

CHAPA 2,FELIZ NATAL!


Meus queridos irmãozinhos e irmãzinhas,

Se vocês olhando o presépio e virem lá o Menino Jesus e se encherem de fé de que ele é o Filho de Deus Pai que se fez um menino, menino qual um de nós e que Ele é o Deus-irmão que está sempre conosco,
 
Se vocês conseguirem ver nos outros meninos e meninas a presença escondida do Menino Jesus nascendo dentro deles.
 
Se vocês conseguirem fazer renascer a criança escondida no seus pais e nas pessoas adultas para que surja nelas o amor, a ternura, o carinho, o cuidado e a amizade com todo mundo,
 
Se vocês ao olharem para o presépio descobrirem Jesus pobremente vestido, quase nuzinho e lembrarem de tantas crianças igualmente pobres e mal vestidas e sofrerem no fundo do coração por esta situação desumana e se quiserem dividir o que têm e desejarem, já agora, quando grandes, mudar estas coisas para que nunca mais haja crianças sofrendo fome e chorando de frio,
 
Se vocês repararem nos três reis magos com os presentes para o Menino Jesus e pensarem que até os reis, os chefes de Estado, os sábios e outros grandes em sua humanidade vêm de todas as partes do mundo para contemplarem a grandeza escondida desse pequeno Menino que choraminga em cima das palhinhas,
 
Se vocês ao verem a vaca, o boi, as ovelhas, os cabritos, os cães, os camelos e o elefante pensarem que o universo inteiro é também iluminado pela Menino Jesus e que todos, estrelas, sois, galáxias, pedras, árvores, peixes, animais e nós humanos formamos a grande Casa de Deus,
 
Se vocês olharem para o alto e virem a estrela com sua cauda e recordarem que sempre há uma estrela como a de Belém sobre vocês, acompanho-os, iluminando-os e mostrando-lhes os melhores caminhos,
 
Se vocês aguçarem bem os ouvidos e escutarem no ambiente, a partir dos ouvidos interiores, uma música suave e celestial como aquela dos anjos nos campos de Belém, música que lhe traz alegria e profunda paz,
 
Então saibam que eu estou chegando de novo e renovando o Natal. Estarei sempre perto de vocês, caminhando com vocês, chorando com vocês e brincando com vocês até aquele dia em que chegaremos todos, humanidade e universo, na Casa do Pai e Mãe de infinita bondade para sermos juntos eternamente felizes como uma grande família reunida.
 
Belém, 25 de dezembro do ano 1.     
         
 
Assinado: Menino Jesus

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

CHAPA 2,CONTRA A CRIMINALIZACÃO!


Representantes de movimentos populares e de centrais sindicais se reuniram para lançar a Campanha Nacional Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais e da Pobreza. O encontro ocorreu ontem (10) na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, no centro de São Paulo, e estabeleceu metas para impedir a aprovação do Projeto de Lei do Senado (PLS) 728, de 2011, do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que tipifica crimes de terrorismo sob argumento de garantir a segurança do país durante a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

Para o coordenador da Central Sindical e Popular Conlutas, José Maria de Almeida, o projeto pode dar margem para que a acusação de terrorismo seja imputada aos movimentos sociais e sindicais do país. O texto do PLS prevê punição para quem “provocar ou infundir terror ou pânico generalizado mediante ofensa à vida, à integridade física ou à saúde ou à privação da liberdade de pessoa, por motivo ideológico, religioso, político ou de preconceito racial ou étnico”.
A integrante do Movimento Passe Livre (MPL) Mariana Toledo lembra que a prisão por averiguação, comum na época da ditadura, veio à tona novamente nas manifestações de junho. “Você prende uma pessoa não porque ela está fazendo alguma coisa, mas porque você quer averiguar. Essa figura é ilegal juridicamente”, disse em entrevista.
Discute-se na campanha não só a ação da Polícia Militar contra as grandes manifestações sociais mais também a violência policial nas periferias. “Os movimentos populares têm dois tipos de criminalização: uma é pela mídia, que os chama de bandidos, vagabundos, arruaceiros, e outra pela própria Justiça, que processa essas pessoas”, explica o advogado das famílias do Pinheirinho, Antônio Ferreira.
Fonte.Brasil atual

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Chapa 2,Por que o senhor atirou em mim?


CHAPA 2,SOMOS FILHOS DE ZUMBI!


20 de Novembro de 2013 é dia de Zumbi dos Palmares e Dandara. É dia de luta,vamos lutar!

10ª Marcha da Consciência Negra em São Paulo. Convide os amigos, parentes e traga a sua família!Próxima quarta,a partir das 11h da manhã, no vão do MASP da Paulista – SP.

 
20 de Novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. É o momento de celebrar a memória Zumbi dos Palmares e Dandara, herói e heroína do povo brasileiro. Mas acima de tudo é um dia de reflexão e busca de novas formas para enfrentar o racismo que, infelizmente ainda hoje dificulta e tira a vida de mulheres e homens em todo o país.
 
A escravidão no Brasil – um dos maiores crimes de lesa-humanidade já vistos, ocupou ¾ de nossa história. Como herança resta não apenas as condições desiguais de desenvolvimento econômico e de condições básicas de vida dos afro-brasileiros, mas, sobretudo, a naturalização do sofrimento, da dor e da morte negra. A ideia de que a “carne mais barata do mercado é a carne negra” se reafirma pela poesia da bala, que trocada ou perdida, sempre atinge seu alvo: o corpo negro.
 
A exposição permanente do corpo de seres humanos negros presos, torturados, mutilados e de onde violentamente se arranca a vida, não foi suficiente para sensibilizar e mobilizar de fato a sociedade como um todo e, menos ainda, os governos de quaisquer instâncias ou partidos.
 
A indignação aumenta ao perceber que grande parte da violência é promovida justamente por aqueles que deveriam evitá-la. Segundo a Anistia Internacional, em 2011, o número de mortes por autos de resistência apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo foi 42,16% maior do que todas as execuções promovidas por 20 países em que há pena de morte! Em São Paulo só em 2012, 546 pessoas foram mortas em decorrência de confronto com a Polícia Militar. Como parâmetro para esse escândalo, basta lembrar que os movimentos de defesa de direitos humanos reivindicam a morte e desaparecimento de 426 pessoas em 21 anos da ditadura civil-militar, iniciada em 1964. Na cidade de São Paulo, de acordo com o IBGE, 56 % dos jovens vítimas de homicídios são negros. Esse número atinge 71% nos casos de jovens mortos em confronto com a polícia.
 
A violência estampada no índice de homicídios que atinge a população negra soma-se à precariedade dos serviços públicos e dos diversos direitos sociais, escasso para toda a classe trabalhadora e ainda mais limitado à população negra.
 
Neste 20 de novembro o Movimento Negro estará nas ruas para denunciar o Estado e os governos – todos eles, por reproduzirem uma política de negação de direitos sociais, de repressão e violência através de uma segurança pública que elege o jovem negro, pobre e morador de periferias como principal alvo de sua repressão.
 
Nossos gritos exigirão Cotas raciais em universidades e concursos públicos;igualdade nos direitos trabalhistas,fFim do genocídio e a desmilitarização das polícias além de um debate democrático sobre um novo modelo de segurança pública para o país; Defesa da Lei 10639, que traz a história e cultura afro-brasileira para as escolas; defesa dos Quilombolas e religiões de matriz africana; Fim da violência contra mulheres negras, homossexuais, além da garantia de seus direitos; Por mais investimentos em cultura, educação, saúde e pela radial democratização dos meios de comunicação.
 
Fonte:Douglas Belchior e Uniafro